segunda-feira, 4 de setembro de 2017

A ponte



Um súbito estranho ritmo  entre o tempo e o contratempo dessa entidade viva que nos habita, e frequenta  o nosso mundo agitado e suave do qual  desenhamos fronteiras o tempo todo.
A inquietação  palpita o coração nesse amar de querer ser. A reflexão  cresce. Então me deixa quieta para ouvir essa voz que grita e sufoca. É Deus querendo me dizer alguma coisa que não quero ouvir, porque essa delicadeza que ele tem com a gente transmite paz, mas ao mesmo tempo   faz doer quando lembramos de nossa “finitude” nada fácil.
É na visita do desconhecido, exatamente nessa linha que traça o horizonte, e essa fome de felicidade é que percebemos que é possível sim. Mas a travessia é grande, dolorosa, e o cárcere é escuro e não tem mapa. Empalidecemos. E com nossos olhos cheios de poeira preferimos tomar chuva, encharcar o céu da consciência contemplativa  e sentir esse frio bem devagar na esperança que ele passe sem precisar sair dali.

Keila Cristina

03/09/2017

domingo, 3 de setembro de 2017

Vazio





O olfato é uma indicação sutil
Mas o cheiro está camuflado
Ouvimos mas não vemos
Nem sentimos
As palavras e os olhos não se enxergam
Olhar vazio de quem não estar olhando
Desembaraça um no corpo do outro
Sem a lisura da poesia
Se tocando e não se encontrando
Endurece, na prisão de si
Sem desbravar o significado.

Keila Cristina 31/08/2017




A luz




Silencie e veja  a rosa desabrochando
Um  iceberg fundindo no oceano
Unificando num pulo de um salto quântico
Refinando o inexaurível
Das verdadeiras flores.

Esvazie e encontre espaço pra receber
E conhecer
O que há em você
Os filtros  protegem
Olhe devagar.




Keila Cristina 29/08/2017

Uno





Água cristalina que reflete,
Pura...
Informando que existe,
Estrelas e lua.

Mente dual
Tese e antítese
Homem e mulher
Yin e Yang
Yoga e Zen.

Encontrar meu menino
Por aí
Onde me perco
Em pensamento
Navalha cortante
Conexão
Uno
Alicerce.

Keila Cristina

 28/08/2017

Tanta vida




Melhor morrer de amor do que de stress
Ser refém  da lua
Amanhecer contando estrelas
Soletrar coragem

Pensamento,  paixão e afeto
Nas ruas da cidade
De noite ou de dia
Alguma melancolia
Arraigada do partir.

Acorde provincial
De qualquer desatenção
Extrair algum  calor
Alguma imensidão.

Keila Cristina

24 de agosto de 2017

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Apaziguando o coração


Caminhamos talvez, não com a força necessária, mas fazemos  alguns malabares para sentir que estar melhorando. Sorrir é uma das formas que equilibra as emoções. E esse pensar nos sonhos, na vida e no vazio que a gente guarda em algum lugar do peito, de que ninguém escapa, as palavras nos faz ser exatamente aquilo que somos.

Nada é em vão e sempre fica alguma coisa. Nietzsche, Heidegger e Sartre  continuam influenciando até os dias de hoje, na filosofia e psicologia.

Tudo causa um efeito. A íris reflete nesse multiverso interno, em que os olhos enxergam e eterniza como um clique.


Ora, certas palavras não saem assim tão fáceis. Caneta e papel em branco traduzem momentos desse mundo surreal. Garimpando, repaginando a ordem, da ponta dos dedos para o coração. Os problemas se aquietam. Num instante nos entregamos a própria ausência. Transcende o verso, aos portais da imaginação, misteriosa espécie, viaja nos braços do tempo e mergulha além das  estrelas. Infinito sentido. Um bem gratuito.

Keila Cristina
17 de agosto de 2017

domingo, 6 de agosto de 2017

Sonhos Guardados


Os sonhos impossíveis se mantem acesos e alerta para o imponderável da vida. Vivemos diariamente os obstáculos sobre o que podemos e o que não podemos.Alguma coisa nos mastiga por dentro.


E nem sempre conseguimos fazer somente aquilo que nos agrada, ficando muitas vezes nas superfícies das situações e não termos a coragem de tocar de fato naquilo que precisa ser tocado.Desafino o tom quando minha sensibilidade é ferida. Por que até quando erramos estamos tentando de alguma forma ser feliz.


Talhei uma mistura engrandecida do bom sentimento e o mistério. A magia versando o coração . Canções no espaço da alma é imensamente grande e pleno da realidade viva e suas fronteiras paíra a mercê dos sentidos.E essa mistura de razão e emoção invade, atravessa e enlaça; sobe e desce. Tonteia, sufoca, aquece e dar pontadas. Cai e levanta. Esconde e revela. Rasga o vestir.


A porta entreaberta assusta ao ver o outro lado. Embarca nas passagens secretas. Voa pousando e descobre as granadas escondidas no peito.O tempo passa, mas sempre haverá resquícios indeléveis na memória. Os detalhes refletem o âmago . Somos a metade do inteiro por isso nossas almas são tão inquietas. Estamos longe da certeza absoluta. Esse fluxo natural da vida traz medo, pelo o efeito que causa, ora de confiança, ora de insegurança.


Keila Cristina
6 de agosto de 2017